CIRURGIA NAS OBSTRUÇÕES AORTO-ILÍACAS

 

 

 Qual a causa dessas obstruções?

A principal causa é a arteriosclerose que é uma doença degenerativa das artérias.

Por isso os pacientes que apresentam essas obstruções têm, em geral, mais de 45 anos e na maioria são homens. No entanto, tem-se observado, cada vez com maior freqüência, em mulheres fumantes entre os 40 e os SO anos.

 

 

 Existem fatores que contribuem para sua ocorrência?

Sim. O fator genético é um deles e não pode ser controlado. Porém, existem fatores de risco que podem ser controlados ou eliminados como por exemplo tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia (aumento das taxas de gorduras no sangue), obesidade e vida sedentária e que constituem fatores agravantes nesses casos.

 

 

 O que sente o paciente com essas obstruções?

O paciente sente dor nas panturrilhas (barriga das pernas), coxas e nádegas ao caminhar, precisando parar por segundos ou minutos para aliviá-la. Esse tipo de dor é conhecido como "claudicação intermitente" e se manifesta sempre que o paciente ande uma determinada distância. Quando a obstrução é mais extensa, o paciente só consegue andar distâncias curtas. Os pés podem ficar mais frios e pálidos, adquirindo coloração vermelho-arroxeada quando em. posição pendente nos estágios mais avançados da doença. No homem pode haver queixa de impotência sexual devido à menor irrigação dos genitais.

Quando existe associadamente obstruções de artérias das coxas e/ou pernas, a falta de circulação nos pés pode se manifestar mesmo em repouso, surgindo dor e arroxeamento dos dedos, prenunciando o aparecimento de gangrena. Outras vezes, formam-se úlceras (feridas) nas pernas, pés ou dedos, em geral muito dolorosas.

 

 

 Como se faz o diagnóstico?

O exame físico do paciente é suficiente para se fazer o diagnóstico das obstruções aorto-ilíacas. Em determinados casos em que se quer quantificar com mais precisão o grau dessas obstruções, pode-se utilizar a ecografia- Doppler, mas o exame complementar mais importante para revelar a extensão da obstrução e para permitir ao cirurgião fazer um planejamento cirúrgico adequado é a arteriografia (cateterismo). A angiorressonância (ressonância magnética) pode, em algumas ocasiões, substituir o cateterismo e no futuro, com o aprimoramento dos equipamentos, o fará certamente.

 

 No que consiste o tratamento cirúrgico?

O tipo de procedimento cirúrgico vai depender de uma série de fatores, como as condições clínicas do paciente, localização e extensão da obstrução e a experiência do cirurgião com os vários métodos que podem ser utilizados. Esses métodos incluem angioplastias (dilatações), endarterectomias (desobstruções) e pontes ("bypass") utilizando próteses plásticas (dacron).

As angioplastia e as endarterectomias são, geralmente, empregadas em estenoses (estreitamentos) ou obstruções arteriais pouco extensas , ao passo que as pontes são utilizadas em obstruções extensas. Há também casos em que se propõe fazer operações alternativas entre a artéria axilar e a artéria femoral (na virilha) e entre as duas artérias femorais para melhorar a circulação nos membros inferiores.

 

 

 Quais os riscos desse tratamento?

Quando se utiliza a angioplastia é conveniente ter uma equipe cirúrgica de prontidão pela possibilidade, pouco freqüente, de ocorrer trombose local e agravamento da isquemia (falta de circulação) no membro.

Nas endarterectomias e nas operações de colocação de pontes, as intercorrências que podem ocorrer, embora raramente, são: hemorragias que podem ser corrigidas com revisões cirúrgicas; trombose da artéria ou da ponte que são tratadas durante o próprio ato operatório ou durante revisão cirúrgica; lesões acidentais de estruturas anatômicas vizinhas, como por exemplo o ureter (canal que liga o rim à bexiga) com maior probabilidade de ocorrer em reoperações.

Tardiamente, após anos da implantação da prótese de dacron, em cerca de 5 a 10% dos pacientes, podem aparecer aneurismas (dilatações) nos locais onde a prótese for anastomosada (costurada) na artéria, o que ocorre principalmente nas regiões inguinais (virilhas), sendo facilmente corrigíeis cirurgicamente nessa localização.