VASOS LINFÁTICOS

 

 O que são?

São pequenos vasos, com diâmetro inferior a 3 mm, encarregados de conduzir a linfa, líquido incolor composto de água e outros elementos, como proteínas e às vezes bactérias. Os vasos linfáticos fazem parte do sistema circulatório. As artérias distribuem o sangue que nutre as células e tecidos - nos capilares há a troca de nutrientes e o sangue que sai pobre em oxigênio, retorna pelas veias. Líquidos e substâncias que as veias não retiram dos tecidos formam a linfa. Esta é levada pelos linfáticos aos gânglios e, daí a linfáticos maiores que a devolvem a circulação na veia subclávia, localizada no tórax.

Os linfáticos intestinais transportam uma linfa de cor leitosa, chamada quilo, que contém gorduras.

 

 Há doenças envolvendo os vasos linfáticos?

Sim. Os linfáticos podem apresentar alterações em conseqüência de agressões físicas, químicas, infecciosas ou por radiações. Estas doenças se caracterizam principalmente pela inchação, ou edema.

Pode também ocorrer febre, calafrios e aumento de volume dos gânglios, conhecidos popularmente como "ínguas". Os edemas (inchaço), mais freqüentes nas pernas, às vezes nos braços, são denominados linfedemas - microorganismos podem causar uma infecção chamada linfangite. Existem ainda distúrbios de condução da linfa ou do quilo chamados de refluxos linfáticos ou quilosos.

 

 Qual a doença mais freqüente dos vasos linfáticos?

É a linfangite aguda, habitualmente dos membros inferiores. Arranhões, frieiras, calos, rachaduras no calcanhar são as 'portas de entrada" para os germes causarem uma infecção caracterizada por febre elevada (39 C), náuseas, vômitos, mal estar geral, inchação, dor e vermelhidão na parte atingida. Os pacientes cuja safena foi retirada para cirurgia no coração (revascularização do miocárdio) também estão mais sujeitos a linfangites agudas.

 

 Linfangite aguda e erisipela são sinônimos?

Linfangite designa inflamação dos vasos linfáticos, sem qualquer preocupação com a causa. A erisipela é uma linfangite determinada por um tipo especifico de estreptococo. No momento do diagnóstico é difícil especificar o agente agressor, sendo melhor chamar de linfangite o processo inflamatório dos vasos linfáticos.

 

 No tratamento das linfangites pode haver complicações?

Habitualmente o tratamento é realizado em casa. Entretanto, pode estar indicada a internação hospitalar, pela intensidade do quadro clinico ou quando se observa a presença de vesículas, bolhas ou pequenas lesões de pele capazes de evoluir para danos teciduais extensos e graves. A forma mais grave é a linfangite gangrenante, em cujo tratamento é fundamental a assistência do cirurgião vascular.

 

 Quais os cuidados a serem tomados depois de uma linfangite aguda?

Sem exame especifico não se sabe a real situação dos vasos linfáticos do paciente. Às vezes, um único episódio de linfangite pode determinar uma seqüela, o linfedema. Além disso, cada novo surto favorece a instalação do linfedema pós- inflamatório. É importante que o paciente que teve linfangite ou seja portador de linfedema evite a ocorrência de novos surtos. Manter a higiene rigorosa dos pés e mãos, evitar traumatismos e cortes, evitar a ocorrência de edema, manter os pés da cama elevados e evitar a permanência prolongada em pé, são cuidados importantes para a prevenção da doença.

 

 É preciso usar meia elástica após um quadro de linfangite de membro inferior?

Após a fase aguda esta contenção é recomendável. Na forma gangrenante é imprescindível, pois sempre ocorre linfedema como seqüela.

 

 As linfangites podem ser evitadas?

Sim, na maioria dos casos, pois a penetração dos microorganismos geralmente ocorre através de ferimentos, calos, frieiras ou fissuras nos pés. Manter os pés secos, limpos, livres de micoses e bem cuidados são medidas essenciais para se evitar infecções.